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As doçuras amargas de Michel Temer

Teresa Cruvinel é colunista do Portal 247

"Sou como cana na moenda: por mais que seja espremido, só consigo dar doçura", disse Michel Temer na sexta-feira, 10, em  Monteiro (PB), ao inaugurar um ponto de chegada das águas transpostas do São Francisco, obra dos governos Lula/Dilma cuja paternidade ele não teve a doçura de reconhecer. A frase seria de D. Helder Câmara, cuja vida foi mesmo um exemplo de amor aos pobres e de compromisso com a democracia. Mas na boca de Temer, foi um escárnio. Dele, os brasileiros só têm recebido medidas e decisões que tornam suas vidas mais amargas, num tempo que o golpe tornou sombrio e desolador. É vasta a lista das “doçuras” amargas de Temer, como no exercício que se segue, que não pretende exauri-las. Fiquemos em uma dúzia de “amarguras”, para que outros completem a lista nos comentários.

1) Temer não é o único mas é um dos maiores responsáveis pela quebra da ordem democrática representada pelo golpe. Como vice-presidente eleito na mesma chapa com Dilma, se ele fosse  um democrata não teria conspirado para derrubá-la, não teria  articulado e não teria aceitado tomar posse.

2) É o maior responsável pela tragédia econômica que castiga o Brasil, amargurando a vida de milhões de pessoas com o desemprego e a queda na renda. Foi ele que apresentou o documento “Ponte para o Futuro”,  prometendo que, com o afastamento de Dilma e sua posse, teria início uma imediata recuperação da economia. A recessão, entretanto, se agravou e tornou-se a maior da história desde 1948.

3) Temer castigou os mais pobres, reduzindo o alcance de programas como o Bolsa-Família, o Farmácia Popular, o Brasil Sem Fronteiras, o Prouni, o Minha Casa, Minha Vida (que elitizou) e tantos outros.

4) Com Temer e sua PEC que congela o gasto público por 20 anos, o Estado brasileiro vem sendo submetido a uma compressão que afeta todas as políticas públicas, submetendo os brasileiros ao “salve-se quem puder” imposto pela leis do mercado.

5) Temer ameaça o futuro dos mais pobres com uma reforma previdenciária que produzirá velhos de ruas, visto que jamais conseguirão se aposentar com as regras propostas.

6) Sua reforma trabalhista faz letra morta da CLT, ameaçando os trabalhadores com uma inusitada precarização das relações trabalhistas. Seu governo protege os que praticam o trabalho escravo interditando a divulgação da lista dos que foram flagrados nesta prática.

7) Temer vem humilhando as mulheres, que não estão representadas em seu gabinete e, em suas próprias palavras, são relegadas ao mundo da casa, como se servissem, no máximo, no mundo social, para fiscalizar preços nos supermercados.

8) Temer roubou o orgulho dos brasileiros ao transformar o país, de potência em ascensão, em país irrelevante no mundo.

9) Seu governo vem dilapidando o patrimônio nacional com medidas entreguistas, como a venda de quinhões da Petrobrás sem licitação e avaliação criteriosa de valor e preço.

10) Não bastasse a entrega do pré-sal, Temer quer vender terras aos estrangeiros, que levarão junto o direito de explorar o valioso subsolo brasileiro.

11) Temer rebaixou ainda mais a confiança na política e nas instituições ao montar um governo composto por políticos corruptos e conservadores, praticando o mais deslavado fisiologismo nas relações com o Congresso.

12. Além de punir o povo com medidas amargas, o governo Temer atenta contra o projeto de desenvolvimento nacional, favorecendo o capital estrangeiro em detrimento das empresas nacionais, a exemplo do que fez ao reduzir a cota de conteúdo nacional em projetos de exploração petrolífera.

Poderíamos também dizer que Temer ofende a poesia ao divulgar seus versos medíocres, pobres na informa e rasos no conteúdo.

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Teresa Cruvinel

Teresa Cruvinel

Colunista Brasil 247