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Classe trabalhadora não aceita um mercado de trabalho informal

Proposta de Bolsonaro de aumentar a informalidade no mercado de trabalho é um pensamento típico de um político que representa os interesses dos patrões, diz o presidente da CUT

Insatisfeito com o desmonte nos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), quer aprofundar a reforma Trabalhista do ilegítimo Michel Temer (MDB-SP) para que as mudanças se aproximem ainda mais da "informalidade". 

Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, este pensamento é típico de um político que representa mais os interesses dos patrões do que os do povo. E tão grave quanto isso, diz o dirigente, é uma ideia de quem não entende nada de economia.

O trabalhador informal, além de não ter direitos e ganhar bem menos, não contribui com a arrecadação, diz Vagner, que alerta: “A informalidade vai fazer o Estado brasileiro perder arrecadação, o que agravará as contas públicas e se refletirá na queda da oferta e qualidade dos serviços públicos”.

O secretário de Comunicação da CUT, Roni Barbosa, acrescenta que um mercado de trabalho informal “significaria perdas pesadíssimas para a economia brasileira, especialmente nas exportações”.

“Muitos países não toleram e não compram produtos de países que exploram os seus trabalhadores. Tenho a certeza de que o Brasil não chegará a esse nível”.

Bolsonaro volta a defender patrão

"No que for possível, sei que está engessado o artigo sétimo [da Constituição], mas tem que se aproximar da informalidade", disse Bolsonaro em reunião com deputados do DEM na noite da quarta-feira (12), em Brasília.

Ele voltou a dizer, ainda, que é muito difícil ser empresário. "Ser patrão no Brasil é um tormento", afirmou, reforçando o discurso de que pretende fazer novas flexibilizações na legislação trabalhista porque o empresário é desestimulado no país devido ao ‘excesso’ de direitos dos trabalhadores.

Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, a declaração de Bolsonaro, além de refletir a herança escravocrata de uma elite atrasada que não gosta do povo, vai contra os interesses da maioria da população, que depende de um Estado forte para garantir o acesso às políticas públicas com inclusão social e geração de emprego decente. 

“O que faz a economia girar é mais dinheiro nas mãos dos trabalhadores, não o contrário, como ele pensa. Trabalhador formalizado contribui mais, o que aumenta a arrecadação e garante mais hospitais, escolas, distribuição de renda, sobretudo para a população que mais precisa”, diz Vagner. 

Vai ter luta, vai ter resistência

O presidente da CUT ressalta que não será tão simples tirar os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras como Bolsonaro imagina. “Vai ter resistência”, garante Vagner.

“Continuaremos no local de trabalho organizando os trabalhadores. Estaremos nas escolas, chão de fábrica, ocupações, bairros e ruas de todo o país dialogando com os trabalhadores e organizando a resistência”. 

A CUT e seus sindicatos continuarão buscando a formalização do mercado de trabalho e não abrirão mão dos direitos conquistados ao longo de décadas de luta, completa o secretário de Comunicação da CUT, Roni Barbosa. 

 

Fim do Ministério do Trabalho dá carta branca para abuso dos patrões

A CUT e outras sete centrais sindicais realizaram nesta terça-feira (11) protesto em frente à Superintendência do Trabalho, no centro de São Paulo, contra o fim do Ministério do Trabalho, medida que o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), promete promover em seu governo. O Sindicato dos Químicos do ABC participou do protesto.

O superintendente regional da pasta, em São Paulo, Marco Antonio Melchior, se somou à mobilização. “Em todos os lugares do mundo é necessário existir um órgão que fiscalize a legislação trabalhista. No Brasil, o ministério é quem cumpre há 88 anos esta função”, disse.

Segundo Melchior, mesmo após a reforma trabalhista, aprovada durante o governo de Michel Temer (MDB), o Ministério do Trabalho continua fiscalizando o cumprimento dos direitos dos trabalhadores e cumprindo outras funções como a mediação das relações do trabalho e a regulamentação das profissões, ações que agora podem ser extintas.

Em consonância com Melchior, dirigentes sindicais da CUT Brasil, da CUT São Paulo e de outras centrais sindicais também se pronunciaram. Todos garantiram ampliar as mobilizações e manter a unidade do movimento sindical em 2019.

Ainda durante o protesto, como numa releitura do pintor francês Jean-Baptiste Debret na obra “Voyages au Brésil: Retour d’ um proprietaire”, um ator, interpretando um patrão, foi carregado por uma rede, em alusão ao período da escravização no Brasil. Ao seu lado, uma mulher negra carregava um cesto cheio de frutas na cabeça. Com eles, algumas placas diziam: “É horrível ser patrão no Brasil”, repetindo e ironizando o pronunciamento de Bolsonaro, no último dia 4, quando este participava de uma reunião com a bancada do MDB na Câmara federal.

 

Confira, abaixo, a transmissão da atividade 

 

 

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