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Como combater o Assédio Sexual e o Assédio Moral no ambiente de trabalho

Esse foi o tema da palestra promovida pelo Sindicato nesta terça-feira, 6, para marcar o Mês Internacional da Mulher

A Comissão de Mulheres Químicas do ABC promoveu na manhã desta terça-feira, 6, uma palestra sobre os desafios do movimento sindical no combate ao assédio sexual e assédio moral no ambiente de trabalho com a Dra. Margarida Barreto, médica do trabalho, mestra e doutora em psicologia do trabalho, e com vários estudos e publicações sobre o tema.

A atividade foi abraçada pela Comissão de Mulheres da CUT ABC e várias lideranças sindicais de diferentes categorias da região participaram do debate. A vereadora Ana Nice e o vereador Ferrarezi, ambos do PT de São Bernardo do Campo, e a assessoria do deputado federal Vicentinho também prestigiaram a palestra.

O que é, como denunciar, como prevenir

"Assédio Moral é uma realidade nos ambientes de trabalho e seus efeitos são múltiplos, inclusive afetando a saúde física e mental do trabalhador e da trabalhadora. Buscar o trabalho digno é uma tarefa urgente e necessária", afirmou Dra. Margarida.

Ela explicou que as denúncias de assédio têm aumentando muito no Brasil e que hoje ele atinge tanto homens quando às mulheres, tornando-se um grande desafio para o movimento sindical.

“O assédio moral é uma forma de terrorismo, é qualquer conduta abusiva, que humilha o trabalhador e a trabalhadora. Do ponto de vista médico, é um risco, uma das facetas da violência, que adoece e pode levar à depressão e ao suicídio”, disse.

"Temos que estar atentos", advertiu a médica, "12% dos casos de assédio moral começaram com assédio sexual. Para a empresa é muito mais fácil culpabilizar o trabalhador e a trabalhadora do que ir ao fundo da questão, pois muitas vezes ir ao fundo da questão é reorganizar o processo produtivo", aponta.

"Quem é vítima do Assédio Moral e do Assédio Sexual sofre. Sofre com problemas psíquico e relacionais, não é frescura. Tanto que o número de suicídios por causa do Assédio Moral é de homens, pois a mulher fala mais de suas questões, o homem cala", afirmou.

Saída é coletiva

Para Dra. Margarida a principal pergunta que se deve fazer diante da denúncia de casos de assédios é: como está a gestão dessa empresa? Há pressão moral constante? Constrangimentos? Humilhações? Agressões? Ameaças, exclusão e ostracismo? Não só de chefe para o subordinados, mas entre os próprios trabalhadores e trabalhadoras. 

"O sindicato pode negociar transformações pontuais na organização do trabalho na empresa, mas é preciso desvendar o que está acontecendo, escutar quem está dentro da empresa sofrendo o assédio. E orientar o trabalhador e a trabalhadora a denunciarem sempre: Denuncie, procure o sindicato, faça um boletim de ocorrência na delegacia, procure o Ministério Público do Trabalho, se for o caso", completou.

O trabalhador e a trabalhadora vítima de assédio não conseguirá resolver o problema sem apoio, destacou a médica. "A desconstrução do assédio é uma ação coletiva. Organizar, mobilizar, resistir, agir e denunciar. Essas são ações fundamentais para transformar não só o ambiente de trabalho como também a sociedade em que vivemos".

Prevenção

Para prevenir que casos de assédio se repitam, ela propõe que se negocie com a empresa ações que promovam a cultura da dignidade; que se desenvolva um código de ética; promoção de campanhas para informação e conscientização dos trabalhadores e trabalhadoras; e desenvolvimento de habilidades de liderança.

Ela recomenda que os sindicatos façam alianças para ampliar a discussão e as ações de conscientização e combate ao assédio moral e sexual. 

"Por mais difícil que seja, a gente não pode perder a certeza de que um dia a gente muda essa situação. Continue na luta, na insistência, na persistência, dê visibilidade... é um processo contínuo de luta de classe", concluiu.

Só sou fraca sem você

Encerrando a atividade, o presidente do Sindicato, Raimundo Suzart, falou da importância da retomada da peça de teatro “Só sou fraca sem você”, criada pela Comissão de Mulheres Químicas do ABC, que foi apresentada em vários eventos como forma de conscientizar sobre a necessidade de combater o assédio moral e sexual no ambiente de trabalho.

"O desafio é retomar a nossa peça. A gente sabe o quanto é difícil negociar na Campanha Salarial os pontos que estão relacionados às mulheres. Como foi difícil conquistar os 180 dias da licença maternidade, que só conseguimos no setor farmacêutico", pontuou.

Agradecendo a participação das lideranças e militância, em especial às mulheres, a diretora Lucimar Rodrigues, coordenadora da Comissão de Mulheres Químicas do ABC, reforçou: Lugar de mulher é em todos os lugares, aonde ela quiser. Viva o 8 de Março! Viva a resistência e a luta por nossos direitos".

 

 

 

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