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#EleNão: Mulheres lideram atos no Brasil contra o facismo e o retrocesso

Atos da campanha #EleNão foram organizados em mais de 260 cidades brasileiras e ganham manchetes no mundo todo

As manifestações contra a escalada do ódio e do fascismo convocadas por mulheres ganharam às ruas do Brasil neste sábado 29 de setembro. Milhares de pessoas participaram das mobilizações contra o candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) nos atos da campanha #EleNão organizados em mais de 260 cidades brasileiras. As manifestações foram organizadas por centenas de movimentos populares do campo e da cidade e tiveram uma participação expressiva nas principais capitais do país. 

A campanha #EleNão ganhou expressão logo que as pesquisas de intenção de voto mostraram o candidato de extrema-direita à frente da disputa eleitoral para a Presidência da República. Mulheres de todo o país iniciaram uma série de mobilizações nas redes sociais contra o fascismo e o discurso de ódio estimulados pelo candidato. 

Na medida em que as manifestações cresciam, o líder das intenções de voto também viu crescer sua taxa de rejeição, que chegou a 46%, segundo a última pesquisa divulgada pelo DataFolha nesta sexta-feira (28). 

Os cartazes, lambes, pirulitos e faixas, presentes nas centenas de manifestações, expressaram o repúdio ao “coiso", como ficou conhecido o candidato do PSL. E trouxeram pautas propositivas, como: a defesa da saúde pública e o combate à violência contra as mulheres, ao racismo e à lgbtfobia. Além da defesa dos direitos trabalhistas.

São Paulo

Em São Paulo, o ato #EleNão reuniu cerca de 500 mil pessoas e ocupou todo o Largo da Batata, na zona oeste da capital, além das duas faixas da Avenida Faria Lima. 

As manifestantes entoam a palavra de ordem #EleNão e pediram respeito aos direitos das mulheres, dos negros e dos LGBTIs. Inúmeros cartazes criticaram o projeto neoliberal de Bolsonaro e as medidas postas em prática pelo presidente Michel Temer (MDB), como a reforma trabalhista e a EC 95, que ficou conhecida como a PEC do Teto dos Gastos. 

A estudante Tainá saiu do ABC Paulista, região metropolitana de São Paulo, para participar da marcha na capital. "Ele [Bolsonaro] representa um modelo de sociedade que nós não toleramos mais. Estamos aqui negando a candidatura dele”, afirmou. Ela disse ainda que o ato é uma forma de gritar contra o extermínio das minorias e das mulheres. 

Ao fim do evento os manifestantes saírem em marcha em direção à Av. Paulista e percorreram cerca de 6 quilômetros. Chegaram ao destino por volta de 20h. "Foi um ato gigante, demos um enorme passo para lutar contra o Bolsonaro, precisa ser nas ruas, defender nossas ideias. A luta contra o fascismo no país tem rosto de mulher", disse a jornalista ativista da Mídia Ninja que fez a transmissão da caminhada até a Paulista.

Rio de Janeiro

No protesto no Rio de Janeiro, segundo a organização, o ato contou com a participação de 200 mil pessoas. "Estamos nas ruas no Rio de Janeiro e em todo o Brasil para dizer #EleNão e também para dizer não à privatização dos nossos recursos naturais e das nossas empresas estatais. Nos manifestamos contra todos os retrocessos que tivemos durante estes dois anos com Temer. As propostas de Bolsonaro são exatamente as mesmas do atual governo", pontuou Alexania Rossato, liderança do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

Belo Horizonte

Em Belo Horizonte (MG), que reuniu cerca de 100 mil pessoas. "Eu digo 'Ele Não' por todas as mulheres que são mães solteiras, que são pobres e que precisam de moradia. É preciso que a gente se una, porque somos a maior parte deste país", disse Nayara Martins, da Secretaria Nacional de Juventude da União Nacional por Moradia Popular.

Durante a campanha de Bolsonaro, o General Mourão, vice-presidente na chapa do candidato de extrema-direita, afirmou que famílias compostas por mãe e avó são "fábricas de desajustados". 

Recife

Elisa Maria, da Marcha Mundial das Mulheres, participou do ato em Recife, onde 250 mil pessoas saíram às ruas. Ela avaliou que "Bolsonaro é a continuidade de Temer, mas nos moldes de uma ditadura agressiva. Queremos uma economia voltada para os mais pobres e não para os mais ricos", concluiu a feminista. 

 

 

 

 

Atos #EleNão repercutiram na imprensa em todo o mundo

 

 

As imagens do Largo da Batata em São Paulo e da Cinelândia, no Rio, estamparam manchetes em toda a imprensa internacional, destaca Brasil 247. O jornal francês Le Monde e o britânico Financial Times foram os destaques. A manchete do Le Monde foi "No Brasil, mulheres na rua dizem 'jamais' ao candidato da extrema direita".

Segundo a coluna do jornalista Nelson de Sá no jornal Folha de S. Paulo, a cobertura da manifestação se alastrou também pelas mídias americanas e de língua inglesa: "a cobertura dos protestos avançou por jornais como Los Angeles Times, revistas como a alemã Stern e sites como o americano BuzzFeed, entre inúmeros outros. Também motivou entradas ao vivo por cadeias de rádio como a NPR, nos Estados Unidos, ou de televisão como a BBC, no Reino Unido".

Com informações do Jornal Brasil de Fato, Rede Brasil Atual e Brasil 247

 

 

 

 

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