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Mais de 20 mil pessoas dizem não à reforma da Previdência no ato de São Paulo

Manifestações aconteceram por todo o país e no final da tarde presidente do Congresso Nacional anuncia retirada da reforma da pauta de votação

Finalizando o dia nacional de mobilização contra a "reforma" da Previdência, cerca de 20 mil pessoas protestaram na Avenida Paulista, em São Paulo, no fim da tarde desta segunda-feira (19). Se por um lado os trabalhadores comemoraram a retirada de pauta da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287, por outro garantiram que não vão vacilar e seguirão mobilizados. "Continuaremos em estado de greve, alertas e pressionando os deputados. Derrotamos a Globo, o presidente (Michel) Temer, o Moro e os bancos e isso é graças aos trabalhadores", afirmou o presidente da CUT, Vagner Freitas.

Para o sindicalista, Temer tentou uma cortina de fumaça ao decretar intervenção federal no Rio de Janeiro. "Foi mais uma manobra do golpista. Nós somos contra a intervenção, até porque não é função do Exército cuidar da segurança pública. Tem de ficar atento, porque pode estender isso para outros estados com o objetivo de fortalecer o golpe", afirmou.

Hoje, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), declarou que não vai haver votação de qualquer PEC durante a vigência do decreto de intervenção federal. E garantiu que não vai haver suspensão temporária. Com a decisão de Oliveira, 190 PECs deixam de tramitar, entre as quais a do fim do foro privilegiado. A decisão vale até 31 de dezembro, mesma data do decreto de intervenção. Se o decreto for revogado, as PECs podem voltar a tramitar. 

Para a presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Marianna Dias, a intervenção é uma chantagem do governo Temer para usar como moeda de troca pela aprovação da reforma da Previdência. "Uma chantagem feita com a vida é o sangue do povo pobre das favelas cariocas", afirmou. 

Ela ressaltou que, com a efetivação da retirada de pauta da reforma, a pauta principal dos estudantes seria a garantia de eleições democráticas."Não está dado que vão ocorrer eleições livres para o povo escolher o próximo presidente. É preciso lutar para garantir isso. O povo sabe o que está acontecendo, usou do carnaval para se manifestar e isso preocupou os golpistas", completou.

O coordenador nacional da Frente Brasil Popular Raimundo Bonfim foi a liderança que demonstrou maior desconfiança da decisão de Temer. "Isso pode ser mais uma jogada do governo golpista. Precisamos manter a mobilização e ficar muito atentos. Os maiores interessados na reforma são os grupos de previdência privada e os bancos", afirmou.

Para a coordenadora estadual do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) Natália Szermeta, o governo Temer está de costas para a população. "Tudo que este governo faz é contra o povo pobre e trabalhador. O que o Rio de Janeiro precisa é de pagamento do salário dos servidores em dia, intervenção social. Não vamos aceitar que a juventude do Rio pague com a vida", afirmou.

Categorias mobilizadas em São Paulo

Os petroleiros paralisaram suas atividades nos terminais de São Caetano do Sul, na Transpetro em Guarulhos e nas refinarias da Petrobras de Paulínia (Replan) e de Capuava (Recap), em Mauá. Participaram trabalhadores diretos e de empresas terceirizadas.

Os bancários também paralisaram agências por todas as regiões da cidade de São Paulo, OsascoGuarulhosABC e cidades do interior como Catanduva e Jundiaí.

As paralisações dos metalúrgicos do ABC atingiram as montadoras Mercedes-Benz, Scania Volkswagen, Ford e Toyota, entre outras empresas como a Otis, Grundfos, Proxyon, ZF e Magna Cosma International. Em São Carlos, a categoria paralisou as atividades na Tecumseh II. Na cidade de Matão, os metalúrgicos realizaram assembleias com atraso na fábrica no horário da manhã. Em Taubaté, os trabalhadores na Volkswagen do primeiro turno decidiram não trabalhar, enquanto que na Ford a entrada do primeiro turno teve atraso de uma hora e 45 minutos.

Já os trabalhadores do ramo químico protestaram em diferentes pontos do estado. Na capital paulista, teve manifestações na avenida das Nações Unidas, em Santo Amaro, região que concentra muitas empresas da categoria e houve atraso no primeiro turno da empresa Avon. O mesmo ocorreu na empresa Faurecia, em São Bernardo do Campo. Já na UCI Farma, também em SBC, cerca de 150 trabalhadoras e trabalhadores, além da luta em defesa da aposentadoria, estavam mobilizados contra os constantes atrasos no pagamento de salários e benefícios.

Dirigentes do Sindicato dos JornalistasProfissionais no Estado de São Paulo fizeram trabalho de base pela manhã na editora Abril, na zona oeste da capital, falando com a categoria sobre a luta em defesa da Previdência Social.

Os eletricitários pararam na fábrica da CPFL Paulista em Franca, Itapira, São Carlos, Jaboticabal, Campinas e Bauru. Ainda em Campinas, teve protesto no Centro de Pesquisa Nacional de Energia e Materiais (CNPEM). O Sindicato dos Trabalhadores Energéticos do Estado de São Paulo (Sinergia-CUT) mobilizou os trabalhadores e trabalhadoras na empresa Esol nas unidades de Bragança Paulista, Adamantina e Regente Feijó.

A Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) informa que até o início da tarde, 40% da categoria havia aderido à paralisação. Em Santo André, os professores do ensino privado também fizeram protestos por meio do Sinpro-ABC na rua Oliveira Lima.

No início da tarde, os servidores públicos municipais de São Paulo se concentraram na Praça do Patriarca em protesto também contra a reforma da Previdência que o prefeito João Doria (PSDB) pretende fazer na cidade. Sindsep-SP e Simpeem organizaram o ato. Os participantes seguiram em marcha até a Avenida Paulista para se somarem aos outros trabalhadores no ato convocado pelas centrais e frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

* Com informações dos sindicatos

Fotos: Dino Santos, Roberto Parizotti e dirigentes.

Fontes: RBA e CUT-SP

 

 

 

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