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Manifestações abrem os 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher

A campanha busca promover atividades de conscientização do dia 25 de novembro até 10 de dezembro, Dia dos Direitos Humanos. É realizada no Brasil e em mais de 160 países

Inúmeros atos foram realizados por mulheres de várias categorias e de movimentos sociais e populares neste sábado para marcar o 25 de novembro – Dia Internacional pela Violência contra as Mulheres, abrindo os 16 dias de ativismo pelo fim da violência de gênero.

A campanha chamada 16 dias de ativismo pela eliminação da violência de gênero é um projeto capitaneado pela ONU Mulheres e parceiros para promover atividades de conscientização do dia 25 de novembro até 10 de dezembro, Dia dos Direitos Humanos. É realizada no Brasil e em mais de 160 países.

A data foi escolhida para lembrar as irmãs Pátria, Minerva e Maria Teresa Mirabal, conhecidas como “las Mariposas”. No dia 25 de novembro de 1960, elas foram brutalmente assassinadas pelo ditador Rafael Trujillo, da República Dominicana, a quem faziam oposição.  Elas sofreram uma emboscada quando estavam em viagem para visitar os maridos, que estavam presos. O assassinato causou forte comoção no país e ajudou a aumentar a luta contra a ditadura, que culminou com a morte do ditador meses depois.

ONU: violência de gênero afeta famílias, comunidades e sociedades inteiras

“Em todo o mundo, mais de uma a cada três mulheres enfrentará violência ao longo de suas vidas; 750 milhões de mulheres se casaram antes de completar 18 anos e mais de 250 milhões foram submetidas à mutilação genital feminina”, afirmou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que defendeu a igualdade de gênero e o empoderamento feminino como soluções para as violações dos direitos das mulheres. Para o chefe da ONU, problema é sintoma de um patriarcado “pervasivo”.

“Além de ter impacto direto sobre a saúde física e psicológica das mulheres, a violência de gênero “afeta famílias, comunidades e sociedades inteiras”, acrescentou Guterres.

Descrevendo essas violações como o “sinal mais visível de um patriarcado e um chauvinismo pervasivos”, o secretário-geral alertou ainda que os crimes contra o público feminino constituem uma barreira à realização dos direitos humanos e à promoção da paz e do desenvolvimento sustentável.

No Brasil, a violência contra as mulheres se tornou endêmica e sistêmica, atingindo todas as classes sociais de norte a sul e de leste a oeste no país.

Segundo a pesquisa “Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil”,  publicada pelo Instituto Datafolha em  março de 2017:: 

• uma a cada três brasileiras com 16 anos ou mais foi espancada, xingada, ameaçada, agarrada, perseguida, esfaqueada, empurrada ou chutada nos últimos 12 meses.

• 40% das mulheres acima de 16 anos sofreram algum tipo de assédio, o que inclui receber comentários desrespeitosos nas ruas (20,4 milhões de vítimas), sofrer assédio físico em transporte público (5,2 milhões) e ou ser beijada ou agarrada sem consentimento (2,2 milhões de mulheres).

• Cerca de 66% de pessoas presenciaram uma mulher sendo agredida fisicamente ou verbalmente em 2016.

Já o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, de 2015 aponta que:

• a cada 11 minutos  uma mulher é estuprada e a cada 7,2 segundos uma mulher é vítima  de violência  no  Brasil. Infelizmente, há estimativas de que esses seja o registro de apenas 10% do total dos casos ocorridos.

De acordo com o IPEA com base em dados de 2011 do Sistema de Informações de Agravo de Notificação do Ministério da Saúde:

• Cerca de 70% das vítimas de estupro são crianças e adolescentes. O crime é cometido principalmente por homens próximos às vítimas.

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