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Lula: Bolsonaro aproveita sofrimento coletivo para abrir mão da soberania

Confira a íntegra da mensagem que o ex-presidente fez por meio de suas redes sociais na tarde desta segunda-feira (7)

 

O ex-presidente Lula se pronunciou nas redes sociais na tarde deste 7 de Setembro, Dia da Independência,  condenando a subserviência do atual governo aos interesses estrangeiros, em especial dos EUA.

“O governo atual subordina o Brasil aos Estados Unidos de forma humilhante e submete nossos soldados e nossos diplomatas a situações vexatórias. E ainda ameaça envolver o nosso país em aventuras militares contra os  nossos vizinhos, contrariando a própria Constituição, para atender aos interesses econômicos, estratégicos e militares norte-americanos”, apontou. “A submissão do Brasil aos interesses militares de Washington foi escancarada pelo próprio presidente ao nomear um oficial-general das forças armadas brasileiras para servir no comando militar sul dos Estados Unidos, sob as ordens de um oficial americano.”

Desmanche do Estado e privatizações

Lula também criticou as políticas privatistas do governo, em especial o desmonte dos bancos públicos. “Instituições centenárias como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o BNDES, que se confundem com a história do desenvolvimento do país, estão sendo fatiadas e esquartejadas, ou simplesmente vendidas a preço vil. Bancos públicos não foram criados para enriquecer famílias, eles são instrumentos do progresso, financiam a casa do pobre, a agricultura familiar, as obras de saneamento e a infraestrutura essencial ao desenvolvimento.”

“Todos os avanços que fizemos sofreram encarniçada oposição das forças conservadoras, aliadas aos interesses de outras potências. eles nunca se conformaram em ver o Brasil como um país independente e solidário com seus vizinhos latino-americanos e caribenhos, com os países africanos, com as nações em desenvolvimento”, disse.

Lula avalia sua gestão na presidência como uma “revolução pacífica” ao tirar 40 milhões de brasileiros da miséria, o que, segundo ele, desagradou parte da elite brasileira. “Ao ver que esse processo de ascensão dos pobres iria continuar, que a afirmação da nossa soberania não iria ter volta, os que se julgam donos do Brasil, aqui dentro e lá fora, resolveram dar um basta. Nasce aí o apoio dado pelas elites conservadoras a Bolsonaro”, disse.

“Aceitaram como natural sua fuga dos debates, derramaram rios de dinheiro na indústria de fake news, fecharam os olhos para seu passado aterrador, fingiram ignorar seu discurso em defesa da tortura e a apologia pública que ele fez do estupro”, prosseguiu.

Pobres são os que mais sofrem com a COVID-19

Na avaliação do ex-presidente Lula, as eleições de 2018 jogaram o Brasil em um pesadelo que parece não ter fim. “Como num filme de terror, as oligarquias brasileiras pariram um monstrengo que agora não conseguem controlar, mas que continuarão a sustentar enquanto seus interesses estiverem sendo atendidos”, afirmou. Como exemplo, ele citou o fato de os mais pobres terem sofrido os maiores impactos decorrentes da pandemia de covid-19. “Um dado escandaloso ilustra essa conivência. Nos quatro primeiros meses da pandemia, 40 bilionários brasileiros aumentaram suas fortunas em 170 bilhões de reais. Enquanto isso, a massa salarial dos empregados caiu 15% em um ano, o maior tombo já registrado pelo IBGE. Para impedir que os trabalhadores possam se defender dessa pilhagem, o governo asfixia os sindicatos, enfraquece as centrais sindicais e ameaça fechar as portas da Justiça do Trabalho. Querem quebrar a coluna vertebral do movimento sindical, o que nem a ditadura conseguiu”, destacou.

Por fim, Lula disse que jamais haverá crescimento e paz social no Brasil enquanto não houver uma melhor distribuição de renda. “Jamais haverá crescimento e paz social se as políticas públicas e as instituições não tratarem com equidade a todos os brasileiros”.

 

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