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Ministério da Saúde omite dados sobre a pandemia no Brasil e OMS pede solução e transparência

Depois omitir números sobre o novo coronavírus no país, na sexta-feira (6) e no sábado (7), a pasta comandada pelo general Eduardo Pazuello divulgou dados errados no domingo (8) – primeiro, informou que 1.382 mortes haviam sido registradas nas últimas 24 horas; uma hora e meia depois, retirou 857 pessoas da lista e oficializou a morte de 525.

Nesta segunda-feira (8), o Ministério da Saúde manteve o registro de 525 mortes e justificou, em nota, que a divulgação anterior foi uma “duplicação” em razão de erros cometidos pelas secretarias estaduais de saúde. No entanto, os dados não batem com o divulgado pelo Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde), que registrou 1.113 mortes no domingo.

Para o médico sanitarista Arthur Chioro, ex-ministro da Saúde, a confusão criada com as informações é parte da “necropolítica” promovida pelo presidente Jair Bolsonaro. Ou seja, o presidente despreza o poder letal do vírus em troca de manter sua ideologia em pé.

“É a institucionalização do “e daí?”. É trazer para dentro da administração pública, do comando do enfrentamento da pandemia, que deveria ser pautado apenas por aspectos técnicos e científicos, o posicionamento ideológico do presidente”, diz Chioro.

O ex-ministro da Saúde afirma que a transparência na informação é preceito básico para a gestão de saúde pública – ainda mais, ressalta ele, na pior crise sanitária da história brasileira.

“Em qualquer manual de saúde pública, a primeira orientação que se dá é tratar a informação da mais segura e transparente possível, para que, externa e internamente, não paire qualquer dúvida em relação aos acontecimentos e às tendências. A informação orienta a ação. A base da vigilância epidemiológica é transformar informação em ação”.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) pediu para que o Brasil mantenha sua transparência em relação à publicação de casos da Covid-19 e disse que espera que a confusão dos números seja solucionada. A OMS destacou que a população precisa de informação para poder se proteger.

Michael Ryan, diretor de operações da OMS, em entrevista coletiva nesta segunda-feira, 8, afirmou que "hoje, a epidemia na América Latina é a mais complexa de todas as situações que enfrentamos no mundo". Para Ryan, chegou o momento de o mundo ir ao socorro da região. "O mundo precisa trabalhar para isso e apoiar a região", insistiu.

Resposta da sociedade: Conass, pool de jornais e ex-integrantes da equipe de Mandeta lançam organização e divulgação dos dados da COVID-19

Diante da decisão do governo federal em não divulgar número total de mortes e casos confirmados, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) começou a disponibilizar no domingo 7, o Painel Conass – Covid-19, que reúne dados atualizados diariamente, às 18h, sobre casos confirmados, óbitos causados pelo novo coronavírus e pacientes que se recuperaram, no Brasil. 

No texto de apresentação do painel, o presidente do Conass, Alberto Beltrame, afirma que o conselho atua pelo “mais alto interesse público”. 

“Nosso valor maior é a vida. (...) A ciência, a verdade e a informação precisa e oportuna são fios condutores do processo orientador da tomada de decisão na gestão da saúde. (...) Trabalharemos continuamente para aperfeiçoá-lo, para o que contamos com colaboração de todos.”

Em resposta à decisão do governo Jair Bolsonaro de restringir o acesso a dados sobre a pandemia de Covid-19, os veículos G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL decidiram formar uma parceria e trabalhar de forma colaborativa para buscar as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal. Equipes de todos os veículos vão dividir tarefas e compartilhar as informações obtidas para que os brasileiros possam saber como está a evolução e o total de óbitos provocados pela Covid-19, além dos números consolidados de casos testados e com resultado positivo para o novo coronavírus. O balanço diário será fechado às 20h.

Ex-integrantes da equipe do então Ministro da Saúde Luís Henrique Mandetta também decidiram organizar uma plataforma com dados atualizados sobre a Covid-19, que pode ser acessada pela internet: dados transparentes.

Fontes: Brasil de Fato, UOL e FSP

 

 

 

 

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