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Que país é este?

Confira novo artigo do Dr. Ivan Costa, médico do trabalho

Por Ivan Costa*

Já estamos na primeira quinzena de maio de 2020. Este ano não será esquecido por nós.

Fomos surpreendidos por uma pandemia, causada por um vírus, que nos obrigou a tomar medidas drásticas que levaram a uma mudança em nossa rotina de vida, obrigatória para diminuir sua disseminação.

Nunca a higienização pessoal foi efetuada tão frequentemente. Nunca nos preocupamos tanto com o distanciamento social e o uso de equipamentos para a proteção individual para a prevenção de uma doença, nem com a higienização de objetos e utensílios compartilhados involuntariamente. 

Cedo percebemos que alguns grupos de indivíduos eram mais suscetíveis às formas mais graves e o distanciamento teve sua importância reforçada. 

O impacto sobre o sistema de saúde foi inevitável e teve terríveis consequências em diversos países; não se pode controlar o crescente número de infectados, a não ser depois de medidas restritivas mais duras e... tempo. O número de mortes cresceu, acompanhando o número de casos confirmados.

Em nosso país, assim que começaram a surgir os casos e começaram as ações restritivas, o que vimos foi um movimento do próprio poder executivo para atenuar a gravidade desta doença e daí em diante vimos esta atitude persistir, apoiada na argumentação de que a doença e seu impacto econômico tinham de ser "tratadas ao mesmo tempo", só que o fator tempo não foi considerado para o controle da disseminação da doença. 

Vimos que nosso sistema de saúde ainda não estava equipado adequadamente para assimilar essa sobrecarga.

Que país é esse? Estamos, sim, vendo a situação se agravar, mas podemos atenuar esse impacto e não o fazemos? É preciso que se trabalhe de forma conjunta, para fazer com que as medidas restritivas sejam eficazes. Nossa fragilidade foi evidenciada e temos que recompor forças, não as dividir. Acostumar-se com a irresponsabilidade de alguns e limitar-se às críticas é tão bizarro quanto a situação que se apresenta. Vamos sim fazer o movimento contrário, deixando de lado o que não serve; quanto mais tarde, pior. 

 A vida está mudando, temos de agir e fazer o possível para nos mantermos em equilíbrio. O trabalho é importante mas, assim como o mundo, está se reconfigurando. 

O futuro será configurado conforme o que façamos ou não.

*Ivan Costa é médico do trabalho e atualmente atende também no Sindicato dos Químicos do ABC

Arte Mapa com dados do Ministério da Saúde: https://pt.wikipedia.org/wiki/Pandemia_de_COVID-19_no_Brasil

 

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