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Reconversão reforça combate à pandemia e pode ajudar setor industrial

Para o Dieese, ações nesse sentido podem reduzir a dependência externa do Brasil

Importante neste momento de crise e emergência para abastecer a rede de saúde, o processo de reconversão industrial pode representar um “bônus” para a economia brasileira, na avaliação do Dieese. Em nota técnica, o instituto afirma que esse ganho poderá ser observado em médio e longo prazos, em uma perspectiva mais ampla de reindustrialização.

Reconversão industrial é a adaptação e reorientação da indústria local às exigências sociais e econômicas de um novo período, alterando o conteúdo de produção de determinada indústria. A ideia é fazer a reconversão do parque industrial parado para atender e ajudar no combate ao coronavírus. Com a pandemia, por exemplo, no Reino Unido e Estados Unidos, montadoras passaram a produzir respiradores. Ao fazer isso, além de gerar receita para as empresas no parque industrial parado, garante emprego e renda e pode preparar o país para internalizar a produção que, hoje, depende de outros países.*

Na visão do Dieese, a reconversão possibilitaria “reduzir ou reverter a dependência de equipamentos e insumos importados, garantindo maior equilíbrio na balança comercial do setor e melhores condições para o desenvolvimento de políticas de saúde pública”. Esse papel caberia ao Estado, como “coordenador de ações emergenciais e também estruturantes”.

“O Estado nacional deveria ser o principal indutor de formulação de políticas públicas orientadas à reconversão industrial, assumindo compromisso irrestrito no financiamento e na garantia de aquisição de materiais e equipamentos do Complexo Industrial da Saúde, que deve se configurar como pilar estruturante do Sistema Único de Saúde (SUS)”, afirma o Dieese. O instituto faz, porém, uma ressalva para a atual situação brasileira: na ausência do governo federal, observam os técnicos, as ações caberiam aos governos estaduais, por meio de secretarias ou consórcios regionais.

Escassez de produtos

O instituto cita o exemplo dos respiradores, aparelhos essenciais na crise sanitária. De acordo com dados do IBGE, em dezembro do ano passado o país dispunha de 62 mil respiradores, incluindo as redes pública e privada. No Distrito Federal, eram 63 a cada 100 mil habitantes. No Amapá, apenas 10. Em São Paulo, 39.

“A escassez de determinados produtos, insumos e equipamentos, no entanto, é mundial e tem exigido que se encontrem alternativas para suplantar essa crise gravíssima”, lembra o instituto. “A China foi o primeiro país a detectar o coronavírus e, mesmo sendo um dos maiores produtores de respiradores do mundo, teve que aumentar a produção em pelo menos 10 vezes para atender à demanda interna e externa pelo equipamento.”

Alguns setores brasileiros começaram a fazer a reconversão, o que, como lembra novamente o Dieese, pode ser importante para toda a economia, e não apenas agora. “A adaptação de plantas fabris para a produção de itens específicos, quando bem implementada, pode não só reduzir os gargalos em segmentos mais sensíveis, como contribuir para a manutenção de empregos e para mitigar a queda abrupta da atividade econômica, mantendo a demanda efetiva, tanto no presente, quanto em futuro próximo.”

Fonte: RdB

Foto:  Firjan SENAI Valença, Pion G - Divulgação

* Nota redação Químicos ABC

 

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