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Rejeição multilateral: sindicatos internacionais mobilizados contra Weintraub no Banco Mundial

Por Nilton Freitas

Sindicatos de vários países pediram aos seus governos para rejeitar a indicação do ex-ministro da Educação do governo Bolsonaro, Abraham Weintraub (foto), para um cargo na Diretoria Executiva do Banco Mundial. Opositor manifesto da democracia, da cooperação, do diálogo, da liberdade de expressão e do multiculturalismo, o ex-ministro foi correndo e às escondidas, com medo de ser preso por acusação de racismo e incitação ao ódio, ocupar o cargo bem remunerado que, por princípio ideológico, deveria rejeitar.

Afinal, não se trata de um Banco no sentido comum, mas de um órgão de cooperação multilateral para o desenvolvimento e redução da pobreza. Fundado em 1944 para ajudar na reconstrução do pós-guerra, com o tempo mudou o foco para o desenvolvimento através do financiamento de projetos de infraestrutura como barragens, geração e distribuição de energia, sistemas de irrigação, rodovias e outros, principalmente nos países em desenvolvimento. Atualmente, coopera com os seus 189 países-membro no combate a pandemia do COVID19, trabalhando em sintonia com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Devido esse papel particular do Banco, sindicatos e centrais brasileiras acionaram as federações sindicais internacionais que, por sua vez, alertaram as autoridades e funcionários do Banco sobre os riscos de desagregação e geração de conflitos por parte do representante brasileiro em razão de sua manifesta oposição aos valores e princípios da instituição. Um Código de Ética fundado em princípios como Integridade, Respeito e Trabalho em Equipe, deve, todavia, limitar esses riscos.

O secretário geral da Internacional de Trabalhadores da Construção e da Madeira (ICM), Ambet Yuson, dirigiu-se diretamente aos governos do Brasil, Colômbia, República Dominicana, Equador, Haiti, Panamá, Filipinas, Suriname e Trinidad & Tobago, para expressar a preocupação e oposição dos afiliados nesses países à indicação do governo brasileiro para liderar o grupo na instituição.

A ICM atua junto ao Banco em parceria com outras organizações sindicais internacionais, para melhorar o sistema de salvaguardas e riscos nos empréstimos para projetos de infraestrutura, em particular, em relação a segurança e saúde no trabalho, direito de organização sindical e negociação coletiva e formas de contratação.

Nilton Freitas é especialista em Relações Internacionais, representante Internacional de Trabalhadores da Construção e da Madeira (ICM) na América Latina e Caribe.

 

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