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Você tem 16 dias para proteger vidas e denunciar a violência contra a mulher

26/11/2020 às 12h41

Sindicato dos Químicos do ABC, com apoio da ICM e TUC, lançam campanha de combate à violência contra a mulher

Por Heloisa Rocha Aguieiras

O dia 25 de novembro – Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher – foi escolhido para o lançamento da campanha “Segura em Casa Segura no Trabalho – 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência de Gênero”, realizado pelo Sindicato dos Químicos do ABC, com apoio da BWI (Internacional de Trabalhadores da Construção e da Madeira da América Latina e Caribe – ICM em português) e patrocínio da TUC, entidade internacional com origem no Reino Unido.

A reunião de lançamento da campanha foi online, a fim de preservar a saúde de todos em relação ao coronavírus, e teve a participação de diversas lideranças e representantes das mulheres trabalhadoras, inclusive convidadas de outras entidades.

A abertura foi realizada pelo presidente do Sindicato, Raimundo Suzart, que deu as boas-vindas a todas e todos e ressaltou a importância do tema da campanha para uma mudança efetiva na sociedade. A programação do encontro ficou a cargo da coordenadora da Comissão de Mulheres Químicas do ABC, Lucimar Rodrigues.

O consultor da campanha e representante da TUC, João Andrade, fez toda a explanação sobre como a campanha será efetivada. Ele explicou que a mobilização vai acontecer em cinco países além do Brasil, sendo Argentina, Peru, Equador, Curaçao e República Dominicana, desenvolvida em língua portuguesa, espanhol e “papiamento”, que é um dialeto da República Dominicana.

“A campanha, que propõe 16 dias de ativismo, foi inspirada na campanha semelhante realizada pela Organização das Nações Unidas – ONU Mulheres, que prega 21 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher. E, como nesse ano não estamos podendo nos manifestar presencialmente e aprendemos a utilizar as redes sociais para isso, nossa campanha vai ser essencialmente digital”, explicou João.

Para tanto, Andrade apresentou o Manual Visibilidade da Campanha nas Redes Sociais, que ensina como fazer as postagens em redes sociais dos materiais da campanha, que todos vão receber. Explica também como usar as hashtags para impulsionar as publicações dessas peças; como marcar as entidades participantes e outras importantes para a causa; os melhores horários para que as postagens alcancem maior visibilidade; ainda como utilizar o Facebook para o ativismo digital; como fazer compartilhamentos, lives e fotos da campanha e como mensurar tudo isso por meio das métricas digitais.

João Andrade disse que todos os trabalhadores ligados ao sindicato vão receber os materiais da campanha a fim de se engajarem nesses 16 dias de ativismo contra a violência de gênero e convidou a todas e todos a postarem e colocarem a campanha nas redes.

A campanha também recebe apoio e participação de mais dez sindicatos. Seu encerramento acontece no próximo dia 10 de dezembro.

Participações

A Secretária Estadual da Mulher Trabalhadora da CUT-SP (Central Única dos Trabalhadores-São Paulo), Márcia Viana relatou que as mulheres não relatam ao sindicato a violência que sofrem em seus trabalhos e em casa, seja ela psicológica, física, assédio moral ou sexual. “Vamos criar um telefone para ser um disque denúncia, é preciso que todos, homens e mulheres, comecem a denunciar”, disse.

“Parabenizo o Sindicato pelo lançamento da campanha, que é fundamental nesse momento em que a pandemia trouxe o aumento dos casos de violência contra a mulher”, disse Inez Galardinovic, Secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-ABC.

Paulo José dos Santos, o Paulão, secretário-geral de imprensa do Sindicato dos Químicos do ABC, disse que “nosso sindicato sempre teve o objetivo de melhorar as relações de trabalho e defender os interesses das trabalhadoras e trabalhadores. Com o home office, as pessoas estão levando o problema da empresa para casa. Isso só agravou o problema da violência doméstica. A mulher já sofria com a tripla jornada, mas conseguia separar o problema do trabalho e o problema de casa. Hoje a mulher tem que fazer tudo ao mesmo tempo e ainda tem a questão da violência. E aquele problema de assédio moral ou sexual que ela sofria, agora foi levado para dentro de casa, com o seu superior que pode praticá-lo com um telefonema e sem ninguém ver. Por isso essa campanha é de fundamental importância”.

O presidente do Sindicato, Raimundo Suzart acredita que “estamos vivendo um momento muito difícil em nosso País. Eu como militante do movimento negro, por exemplo, digo que foi horrível acordar no dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, vendo um negro ser espancado e morto. O ativismo tem que ser permanente no Brasil. A eleição do Bolsonaro fez com que muitos que se escondiam em suas carapuças a tirassem, mas agora conhecemos quem são. Não adianta dizer que é ativista, sem uma ferramenta, sem ação”, concluiu.