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Organizações sindicais de todo o mundo realizam protestos contra o golpe militar em Mianmar

No Brasil, o Dia de Ação Global contra o Golpe foi marcado por protesto em frente ao consulado daquele país em São Paulo

Dez federações sindicais que representam mais de 200 milhões de trabalhadores em todo o mundo convocaram seus sindicatos afiliados a unirem-se ao Dia de Ação Sindical Global contra o Golpe e realizaram manifestações em apoio ao povo de Mianmar nesta terça-feira, 11 de fevereiro. 
 
No Brasil, a manifestação aconteceu na parte da manhã, em frente ao consulado deste país em São Paulo (SP). Uma carta conjunta, assinada pelas as centrais sindicais CUT, Força Sindical e UGT e as federações sindicais internacionais com presença no Brasil, na versão em português e inglês, foi enviada ao cônsul-geral Ricardo Cateb Cury.
 
Na carta, as organizações repudiam a tomada de poder pelos militares em Mianmar e informam que estão comprometidas a fazer tudo que for possível para impedir o sucesso do golpe, garantir a libertação de todos os detidos e pôr fim à violência e perseguição ao povo. “Os perpetradores do golpe devem ser isolados”, afirma o documento assinado por: CUT Brasil; Força Sindical Brasil; UGT Brasil; CSA - Confederação Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas; ICM - Internacional de Trabalhadores da Construção e da Madeira; IndustriALL Global Union;  UNI Américas, braço continental de UNI Global Union; IE - Internacional de Educação; e ISP - Internacional de Serviços Públicos.
 
A Carta
 
Senhor Consul Geral,

As organizações sindicais internacionais e brasileiras infra-assinadas, vem por meio desta manifestar nosso mais completo repúdio à aterrorizante tomada de poder pelos militares em Mianmar e, ao mesmo tempo, informar que nossas organizações se comprometem a fazer tudo ao nosso alcance para impedir o sucesso desse golpe, garantir a libertação de todos os detidos e pôr fim à violência e perseguição ao povo. Os perpetradores do golpe devem ser isolados.

Em linha com as posições e demandas do Conselho dos Sindicatos Globais (CGU) às instituições internacionais, conclamamos os governos de todo o mundo a se unirem em apoio ao povo de Mianmar para:

• Condenar publicamente o golpe de Estado em Mianmar;

• Não reconhecer ou apaziguar os militares;

• Solicitar à Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) que suspenda a representação de Mianmar até que os representantes eleitos possam formar um parlamento e um governo democraticamente eleito pelo povo;

• Apoiar a adoção de uma resolução urgente do Conselho de Segurança da ONU, incluindo sanções para os líderes do golpe;

• Convocar uma sessão especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU para analisar a situação em Mianmar; para pedir a libertação de todos os presos em razão do golpe; e mandatar o Relator Especial sobre Mianmar para monitorar e emitir um relatório especial sobre a situação dos direitos humanos, incluindo detenções, cumprimento da liberdade de associação, proteção de manifestantes, respeito pelo direito de reunião pacífica e protestos e o direito à opinião e expressão e discurso, incluindo a confiança nas plataformas de tecnologia da informação;

• Implementar sanções econômicas abrangentes para interromper toda e qualquer receita para os militares;

• Cessar imediatamente toda a cooperação militar e o comércio de armas com Mianmar;

• Expor e responsabilizar todas as empresas de lobby empregadas pelos militares de Mianmar; • Rastrear as cadeias de suprimentos de empresas comandadas por militares para garantir a aplicação total das sanções econômicas;

• Apoiar e ajudar a todos os refugiados da perseguição militar de Mianmar;

• Proteger a equipe diplomática de Mianmar no país, incluindo essa representação consular;

• Pedir às empresas que operam ou compram em Mianmar para fornecer apoio aos trabalhadores onde as operações são reduzidas, bem como apoiar e proteger os trabalhadores que protestam contra o golpe.

Somos solidários com os trabalhadores e com o povo de Mianmar e prestamos homenagem aos bravos trabalhadores que empreenderam ações para rejeitar o golpe militar e o atentado contra a democracia nesse país irmão.

Após 30 anos de ditadura militar em Mianmar, estamos unidos para garantir que o voto do povo seja respeitado e que todos aqueles que foram eleitos democraticamente possam formar um governo legítimo e reconhecido por seu povo.

Solicitamos de forma respeitosa, que vossa senhoria faça chegar essa mensagem de solidariedade e apoio dos trabalhadores e do povo brasileiro aos legítimos representantes do povo de Mianmar, para que saibam que não estão sós e não serão esquecidos.

Agradecendo sua atenção, nos despedimos

Atenciosamente,

  • CUT Brasil – Central Única dos Trabalhadores
  • Força Sindical Brasil
  • UGT Brasil – União Geral dos Trabalhadores
  • CSA - Confederação Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas
  • ICM - Internacional de Trabalhadores da Construção e da Madeira
  • IndustriALL Global Union
  • UNI Américas, braço continental de UNI Global Union
  • IE - Internacional de Educação
  • ISP - Internacional de Serviços Públicos

 

 

 

Para download da Carta: https://bit.ly/3qc2Ti1
 

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