No dia 26 de agosto, após audiência de conciliação sobre a greve dos trabalhadores e trabalhadoras da Vitopel/Oben iniciada no dia anterior, a Justiça do Trabalho reconheceu a legitimidade da paralisação e determinou que não houvesse desconto dos dias parados, além de estabelecer garantias importantes. Entre as conquistas asseguradas estão:
- Pagamento de abono de um salário;
- 6 meses de convênio médico;
- 4 meses de convênio farmácia;
- Vale-alimentação até dezembro;
- Compromisso de que novas demissões só ocorrerão com anuência do Sindicato.
Para entender a mobilização
Os trabalhadores e trabalhadoras da unidade da empresa em Mauá – recentemente adquirida pela multinacional peruana Oben Group – decidiram pela greve após a demissão arbitrária de cerca de 50 empregados, em descumprimento da nossa Convenção Coletiva, que prevê negociação prévia com o Sindicato em casos de demissão em massa.
A paralisação foi aprovada em assembleia como resposta imediata ao ataque da empresa, que surpreendeu a todos, inclusive ao Sindicato, que vinha conduzindo negociações sem qualquer indicativo de cortes.

Marcio Barone
O impacto do “tarifaço” de Trump
A Oben alegou que as demissões foram motivadas pela retração do mercado interno e pelo “tarifaço” imposto pelo governo dos EUA, medida que reduziu em 25% as exportações de filmes plásticos brasileiros.
Esse impacto externo, somado a cortes internos, foi usado pela empresa como justificativa para as demissão.
Para o Sindicato, essa medida internacional não pode servir de desculpa para descumprir a Convenção Coletiva e desrespeitar famílias que dependem do emprego.
Para o coordenador da Regional Santo André do Sindicato, Marcio Barone, a mobilização mostrou a força da categoria:
“Seguimos firmes desde o primeiro dia porque sabíamos da injustiça cometida. Essa decisão da Justiça do Trabalho prova que a unidade dos trabalhadores, junto ao Sindicato, é o que garante respeito e conquistas”, disse.

Joel Santana de Souza
A luta continua
O diretor Joel Santana de Souza, que agora é também coordenador da Fetquim, acompanhou toda a mobilização e reforçou que, apesar das conquistas, a luta não termina aqui.
“É preciso permanecer mobilizado para que situações como essa não voltem a se repetir. A Oben precisa respeitar a legislação trabalhista, a Convenção Coletiva e, acima de tudo, cada trabalhador e trabalhadora”, pontuou.