Emoção e clamor coletivo por justiça marcam homenagem a Olavo Hanssen
Na semana em que membros da Comissão Nacional da Verdade defenderam a revisão da Lei da Anistia, o ato público em homenagem a Olavo Hanssen, operário militante assassinado pela ditadura militar, reuniu mais de 300 pessoas na tarde do sábado 25/5 para reivindicar justiça.
Convocado pela Comissão da Verdade Rubens Paiva, de São Paulo, e por várias entidades, o ato foi realizado no Salão da Sociedade Amigos da Vila Zélia, na zona leste da capital, o mesmo local onde ocorreu a manifestação de 1º de Maio de 1970 na qual o operário químico Olavo Hanssen foi preso e depois torturado e morto pelos agentes da ditadura.
Além de sindicalistas, militantes, representantes partidários e de movimentos sociais e de direitos humanos, estiveram presentes familiares de Olavo Hanssen e alguns de seus companheiros e companheiras de militância que foram presos e também torturados, mas conseguiram sair com vida do DOPS.
O Sindicato dos Químicos do ABC, uma das entidades apoiadoras da atividade, foi representado por uma delegação expressiva, composta por diretores e membros das representações nos locais de trabalho (OLT). Os alunos e professores da escola Olavo Hanssen, de Mauá, também prestigiaram a homenagem.
“Não há justiça sem punição”
A mesa de abertura foi composta por representantes da Comissão da Verdade, dos Sindicatos, da CUT e representações partidárias. O Secretário de Saúde, Trabalho e Meio Ambiente, José Freire, saudou os presentes e a iniciativa em nome da categoria química do ABC.
Vários oradores destacaram a necessidade de trazer à luz todos esses fatos para que isso jamais se repita na história do País e que essa impunidade aos torturadores e assassinos da ditadura contribui para que hoje os grupos de extermínio continuem assassinando nossos jovens na periferia.
“Passados 43 anos da morte, qual é a melhor maneira de homenagear Olavo? É fazer deste ato uma grande manifestação pela transformação da Lei de Anistia de 1979. Temos condições de reagir, não entendo porque esses assassinos estão impunes”, afirmou o deputado estadual e presidente da Comissão da Verdade Rubens Paiva, Adriano Diogo (PT-SP).
Os presentes também aprovaram uma carta à Presidenta Dilma clamando que os criminosos da ditadura devem pagar perante a Justiça por seus crimes.
“Minha jangada vai sair pro mar”
A segunda mesa contou com a presença de companheiros e companheiras de Olavo Hanssen, que deram depoimentos importantes sobre as circunstancias de sua prisão e morte, sensibilizando todos os presentes. Outro momento que tocou a todos foi a participação do Coral do Grupo Cultural Luther King cantando a “Suíte dos Pescadores”, de Dorival Caymi.
“Essa música era cantada por nós, militantes presos, a cada transferência ou soltura de um companheiro ou companheira, como um hino de resistência na prisão, um estímulo a continuar lutando”, explica Ivan Seixas, coordenador da Comissão da Verdade Rubens Paiva.
Em breve, a TV Químicos do ABC disponibilizará a reportagem do ato em memória a Olavo Hanssen.
Quem foi Olavo Hanssen
Olavo Hansen era um sindicalista e dirigente do PORT – Partido Operário Revolucionário Trotskista. Foi aluno de Engenharia na Universidade São Paulo, mas deixou os estudos para se engajar na política sindical. Em 1970, trabalhava em uma indústria química em Santo André.
No 1º de maio de 1970, Hanssen foi preso com outros sindicalistas enquanto distribuía panfletos, por policiais militares, na praça de esportes da Vila Maria Zélia, em São Paulo, durante uma comemoração autorizada do dia do trabalho. Hansen foi torturado até o dia 5 de maio. Apesar dos protestos de outros presos políticos no DEOPS/SP, ele não recebeu assistência médica adequada e foi levado ao Hospital do Exército em Cambuci somente em 8 de maio, quando já estava em estado de coma. Em 13 de maio, sua família foi avisada que ele teria se suicidado no dia 9, e que seu corpo teria sido encontrado perto do Museu do Ipiranga.
Fonte: Projeto Integrado USP
Para saber mais confira o curta metragem falando da vida de Olavo Hanssen, produzido pela Comissão da Verdade