“Se eles fizeram o 8 de janeiro quando perderam, imagina o que irão fazer se ganharem”
Ariovaldo de Camargo
A diretoria do Sindicato dos Químicos do ABC recebeu, nesta segunda-feira (31), o professor e pedagogo Ariovaldo de Camargo, integrante da direção nacional da CUT, para uma análise de conjuntura com foco no cenário político e econômico e nos desafios colocados para a classe trabalhadora nas eleições de outubro. A atividade reuniu dirigentes do Sindicato e sindicalistas da região.
Um mundo em transformação
Ariovaldo iniciou a análise abordando o cenário internacional, marcado por conflitos e disputas geopolíticas, como as guerras na Ucrânia e em Gaza e as tensões no Oriente Médio. Para ele, as rápidas mudanças na conjuntura exigem atenção permanente e capacidade de organização do movimento sindical.

Redes sociais e disputa de ideias
Ao comparar as eleições de 1989 com o cenário atual, destacou a transformação nas formas de comunicação. Se naquele período a disputa política acontecia principalmente pelos meios tradicionais, hoje as redes sociais ocupam papel central, embora estejam sob forte influência das grandes empresas de tecnologia. Nesse ambiente, ressaltou a necessidade de ampliar o diálogo com os trabalhadores e enfrentar a desinformação.

Economia e distribuição de renda
A análise também abordou os resultados econômicos dos últimos anos, destacando indicadores como emprego, inflação, crescimento econômico e recuperação do poder de compra. Ariovaldo ressaltou especialmente a retomada da política de valorização do salário mínimo, apontada como um importante instrumento de distribuição de renda e melhoria das condições de vida da população.
Direitos que precisam avançar
Entre as pautas que devem mobilizar o movimento sindical, foram destacados o fim da escala 6×1, a valorização de quem exerce atividades de cuidado e a ampliação das políticas públicas voltadas à população. Para Ariovaldo, defender essas medidas significa discutir concretamente que modelo de desenvolvimento e de sociedade interessa à maioria dos brasileiros.

Ariovaldo de Camargo
Democracia em disputa
Um dos pontos centrais da análise foi a necessidade de defender a democracia diante do crescimento de forças autoritárias. Ao lembrar os ataques às instituições ocorridos em 8 de janeiro de 2023, Ariovaldo fez um alerta: “Se eles fizeram o 8 de janeiro quando perderam, imagina o que irão fazer se ganharem.” Para ele, a defesa das instituições democráticas deve estar no centro da mobilização social.
Organização e diálogo
Ao final, Ariovaldo reforçou que o movimento sindical precisa estar cada vez mais próximo dos trabalhadores, inclusive nos espaços onde eles vivem, e ampliar o diálogo com quem ainda está indeciso sobre os rumos do país. A análise apontou outubro como um momento decisivo para a defesa da democracia, dos direitos sociais, da distribuição de renda e de políticas públicas que contribuam para melhorar a vida da população.
