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Químicos do ABC debatem eleições e escala 6×1: ‘Não adianta bom presidente com Congresso ruim’

Escrito por: Redação
31/03/2026 às 14h07
Químicos do ABC debatem eleições e escala 6×1: ‘Não adianta bom presidente com Congresso ruim’

Na manhã desta segunda-feira, 30 de março, o Sindicato dos Químicos do ABC realizou, em sua sede, em Santo André, uma atividade de Análise de Conjuntura para debater temas centrais para a classe trabalhadora. Coordenado pelo presidente da entidade, José Evandro Alves da Silva, o encontro reuniu dirigentes, militantes e lideranças sindicais da região para discutir o cenário das eleições de 2026, o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho sem redução de salário.

Debate necessário para a classe trabalhadora

A atividade contou com a participação das advogadas trabalhistas Evelise Della Nina e Tirza Coelho, além do jornalista e analista político André Luís dos Santos, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), entidade responsável por acompanhar o comportamento e as votações de deputados e senadores no Congresso Nacional.

Durante a abertura, José Evandro destacou que o debate é fundamental para preparar a categoria diante dos desafios políticos e sociais do próximo período.

“Este debate vem ao encontro do nosso desafio de como combater essa extrema direita, à qual já fomos submetidos por seis longos anos, com reformas que retiraram direitos trabalhistas e previdenciários, precarizaram o trabalho, atacaram as entidades sindicais e acabaram com políticas públicas importantes para a população mais pobre, como o Farmácia Popular”, afirmou.

Congresso Nacional será decisivo

Ao analisar o cenário político, André Luís dos Santos reforçou que a principal disputa das eleições deste ano estará na Câmara Federal e no Senado. Segundo ele, não basta eleger um presidente comprometido com os trabalhadores se o Congresso continuar dominado por parlamentares conservadores e contrários aos direitos sociais.

“Não adianta ter o melhor presidente da República do mundo se deputados e senadores forem o oposto disso. Hoje, o maior desafio é mudar a composição do Congresso Nacional”, afirmou.

André também destacou que atualmente existem cinco propostas tramitando sobre redução da jornada de trabalho no Congresso Nacional: as PECs 08/2025, 221/2019 e 148/2015, além dos PLs 1105/2023 e 67/2025.

A proposta considerada mais avançada é a PEC 148/2015, que propõe o fim da escala de trabalho 6×1 e a redução gradual da jornada semanal para 36 horas.

Ele também alertou para os riscos do projeto de lei que propõem o pagamento por hora trabalhada, o que representaria a uberização do mercado de trabalho.

Químicos do ABC debatem eleições e escala 6×1: 'Não adianta bom presidente com Congresso ruim'

Fim da escala 6×1 depende de mobilização

Segundo André, a luta pelo fim da escala 6×1 precisa ser fortalecida e ganhar mais apoio da sociedade. Ele lembrou que, para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição, são necessários 308 votos favoráveis na Câmara dos Deputados, cenário ainda difícil diante da atual composição do Congresso, que conta com mais de 300 parlamentares alinhados à direita.

Outro ponto levantado foi a necessidade de combater a desinformação, ampliar a mobilização e reforçar a formação política da população. Para ele, a defesa da redução da jornada deve dialogar com temas que fazem parte do cotidiano das pessoas, como mais tempo para descanso, convivência familiar, lazer e qualificação profissional.

Químicos do ABC debatem eleições e escala 6×1: 'Não adianta bom presidente com Congresso ruim'

Direito ao lazer e à desconexão

As advogadas Evelise Della Nina e Tirza Coelho reforçaram que a redução da jornada de trabalho não pode ser debatida apenas do ponto de vista numérico. Segundo elas, a discussão precisa envolver qualidade de vida, saúde física e mental, direito ao lazer e direito à desconexão do ambiente digital.

Tirza destacou que as pessoas estão cada vez mais preocupadas com o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho e que esse debate precisa considerar também os impactos do adoecimento mental (NR-1) entre os trabalhadores.

“Precisamos ficar atentos às mudanças. O debate sobre jornada não pode ser apenas numérico sobre horas e folgas, mas unir o direito ao lazer, à desconexão e à proteção da saúde e da qualidade de vida do trabalhador”, afirmou.

Papel dos sindicatos será fundamental

As advogadas também ressaltaram que os sindicatos terão papel decisivo caso a redução da jornada avance no Congresso Nacional. Isso porque caberá às entidades negociar, nas convenções e acordos coletivos, como serão distribuídas as duas folgas semanais previstas na escala 5×2.

Outra estratégia apontada é o mapeamento das jornadas praticadas em cada categoria e a construção de pautas unitárias entre sindicatos do mesmo ramo. No caso da indústria farmacêutica, por exemplo, a jornada de 40 horas semanais com duas folgas já é uma realidade, mostrando que é possível avançar na luta por mais qualidade de vida para a classe trabalhadora.

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Sindicato dos Químicos do ABC
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