Por José Evandro Alves da Silva

Cumprimentar as mulheres no dia 8 de março é uma prática comum e generalizada nos meios profissionais e familiares. Todos dizem reconhecer o papel da mulher na família, no trabalho e na sociedade. Todavia, a violência contra elas aumenta e surpreende a todos. Dados oficiais indicam que os casos de feminicídio aumentaram em quase 5% entre 2024 e 2025, totalizando 1.568 vítimas. Mais de quatro assassinatos por dia.
Boa parte dessa violência está relacionada ao fato de a mulher sair para trabalhar e romper a dependência financeira em relação ao homem. Não bastasse isso, no próprio ambiente de trabalho, a mulher sofre com o assédio sexual (aumento de 40% entre 2024 e 2025) e moral (22% de aumento no mesmo período). A situação pode ainda ser pior, pois os casos registrados podem estar muito aquém da realidade. O lado bom da notícia é que hoje os canais de denúncia são mais difundidos e os casos de assédio, antes ocultos ou descaracterizados, começam a aparecer.
A violência contra a mulher trabalhadora se soma a outros fatores que tornam sua carga de sofrimento ainda maior: desigualdade salarial, múltiplas tarefas e responsabilidades domésticas, dupla jornada, discriminação de gênero, tempo e insegurança nos deslocamentos casa – trabalho – casa.
Por meio da ação sindical junto às empresas e de atividades de formação, o Sindicato busca transformar essa realidade para melhor. Todos somos responsáveis e devemos denunciar qualquer forma de violência e discriminação contra a mulher. Todos! Homens e mulheres, membros da CIPAA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e Assédio), sindicato, gerência e supervisão, familiares e amigos.
José Evandro Alves da Silva é presidente do Sindicato dos Químicos do ABC