Por José Evandro Alves da Silva
O dono do banco Master, Daniel Vorcaro, está preso, assim como seu pai e seu primo, além de vários outros cúmplices. Um deles, de apelido “Sicário” (termo usado para “matador de aluguel”), cometeu suicídio na cadeia. Todos, acusados pela PF de lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa, além de táticas de intimidação, coação e invasão de dispositivos informáticos, entre outros crimes.
Segundo analistas da grande imprensa, tudo começou no governo Bolsonaro, com o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, autorizando as operações “agressivas” do Banco Master que atraía investidores oferecendo CDBs com rendimentos altos; parte desse dinheiro foi emprestada a uma empresa e enviada para fundos administrados pela REAG, suspeita de pertencer ao Primeiro Comando da Capital (PCC); os recursos circularam rapidamente entre vários fundos em operações feitas em minutos; fundos compraram títulos antigos e registraram valores muito acima do real para inflar artificialmente o patrimônio; depois, o dinheiro voltava ao próprio Banco Master por meio da compra de CDBs. De acordo com os investigadores, o objetivo era criar a falsa impressão de solidez financeira.
Quando Lula nomeou o novo presidente do Banco Central, a casa caiu. As operações financeiras eram escandalosamente irregulares e só podiam se manter por meio das relações de Vorcaro com políticos da extrema direita, como os filhos de Bolsonaro, seu ex-ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, os governadores do Distrito Federal (Ibaneis Rocha) e de São Paulo, Tarcísio de Freitas, entre outros. Os recursos dos fundos de pensão de prefeituras e empresas públicas foram repassados ao banco que, por pouco, não foi comprado pelo BRB, banco público de Brasília, o que teria aumentado o rombo no setor financeiro e nas contas públicas para além dos atuais 52 bilhões de reais.
Notícias indicam que o ex-ministro de Bolsonaro foi agraciado com um triplex avaliado em 22 milhões de reais em São Paulo, além de outros imóveis. Ciro tentou emplacar uma lei que transferia o rombo do Banco para a União, elevando de 250 mil para um milhão de reais o valor a ser indenizado a cada cliente lesado. Ou seja, para que eu e você pagássemos a conta quando a tramoia viesse à tona, como veio.
Como se não bastasse, aparece o senador Flávio Bolsonaro, cobrando do banqueiro do crime um acordo de 134 milhões de reais: “irmão, eu preferi te mandar um áudio aqui para você ouvir com calma”; “não tem meia conversa entre a gente”; “não sei como é que vai ser daqui pra frente”; “eu fico sem graça de ficar te cobrando, Daniel”.
Como disse o ministro Fernando Haddad: se tem rabo de porco, focinho de porco, orelha de porco, porco é. Não tem o que discutir. Um dos maiores casos de corrupção da história tem nome e sobrenome.
José Evandro Alves da Silva é presidente do Sindicato dos Químicos do ABC