Por José Evandro Alves da Silva
Não me refiro a Copa do Mundo da FIFA que vai começar em breve, e sim, as eleições de outubro desse ano. Na Copa, vamos torcer pela nossa seleção e nas eleições pelos candidatos comprometidos com a nossa agenda, entre elas, a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução de salários e o fim da escala 6×1.
Temos estado na porta das fabricas conversando com os companheiros e companheiras, mas são as mulheres aquelas que mais desejam essa conquista histórica. Afinal, é sobre o ombro e o colo delas que recai o peso do cuidado com a casa e a família, incluindo os pais e os sogros muitas vezes.
Para todos, no entanto, é uma questão de justiça. Afinal, a produtividade no trabalho mais que duplicou nos últimos tempos e o lucro ficou em sua grande parte na mão dos patrões. Mas a carga mental e física deixou sua marca no corpo e na cabeça do trabalhador. O cansaço, a irritação, os medicamentos para dormir e controlar a ansiedade já faz parte da vida de muita gente e, a isso, atribuem, entre outros fatores, a exigência maior no trabalho, a pressão por produtividade e qualidade, a diminuição das pausas para respirar e, ainda por cima, uma jornada de 44 horas por semana e apenas um dia para recuperar a energia.
Impossível! E ainda que fosse, ninguém quer apenar recuperar as forças para continuar nessa vida de semiescravidão moderna. As pessoas querem ter o direito de desfrutar de seu direito à educação, à saúde, ao lazer, ao descanso, à família e até de não fazer nada. As empresas não terão mais empregados se não entenderem essa realidade e o Sindicato vai intensificar sua luta, arrancando a redução da jornada e o fim da escala 6×1, empresa por empresa, se o “congresso inimigo do povo” se render aos interesses do capital e ignorar os anseios do povo.
Vão pagar caro os políticos que ignorarem o povo e as empresas que desejarem explorar ainda mais seus empregados. O Sindicato está de olho em todos eles e lhes dizemos claramente: seu futuro também está em jogo!
José Evandro Alves da Silva é presidente do Sindicato dos Químicos do ABC